segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Psicanálise: terapia para o autoconhecimento

AUTOCONHECIMENTO ATRAVÉS DA PSICANÁLISE

Que ser complexo é o ser humano! Um misto de pensamentos, sentimentos, desejos, anseios... luz e sombra... um pacote completo. Percebemos toda essa variedade de ações e reações em nosso interior, em muitos casos, contraditórias.
Mas a questão é: o que fazer com tudo isso? Como encontrar o equilíbrio? Como ser feliz? Qual o meu lugar no mundo? Qual é o sentido da minha vida?
Na jornada de nossa existência nos deparamos com vários sistemas ou caminhos que intentam dar respostas a estas questões. Todos buscando o Centro, o Âmago, o Real.
Somos, cada um de nós, um Universo Completo, mas que precisa ser descoberto, explorado e, acima de tudo, INTEGRADO. Para isso, precisamos de uma estratégia.
Qual seria o primeiro passo para esse processo de integração interior? Pois, lidar com nossa HUMANIDADE. Sim, conhecermo-nos como humanos que somos. Reconhecer o que há por trás de cada pensamento, cada sentimento, cada desejo, cada angústia...
A Psicanálise nos coloca em contato com as questões humanas. Trás luz ao que foi recalcado desde os primeiros instantes da vida. Possibilita lidar com nossas neuroses, jogando luz sobre os medos, as depressões, as raivas, as negatividades, etc. Através da Psicanálise analisamos nossas carências, vazios, medos, problemas de autoestima, traumas, mágoas, toda sorte de limitações autoimpostas. Quando colocamos luz sobre estas sombras interiores, elas deixam de ser sombras. A luz da consciência, construída passo a passo, nos faz perceber também o que temos de bom que não usamos, valores que ficam sem uso devido a sentimentos de menos valia, complexos de inferioridade, de castração, etc.
As técnicas psicanalíticas, propiciadas por Freud e outros que lhe seguiram, propiciam esse AUTOCONHECIMENTO que possibilita integrar luz e sombra em nosso interior.
A Psicanálise prima pelo AMOR À VERDADE. É isso que a torna um excelente recurso para o autoconhecimento. Ela ajuda a conectar-nos conosco mesmos, libertando-nos das falsas verdades que construímos e transforma nossa percepção da vida.
Aceitar nossa própria humanidade nos traz qualidade de vida, amplia nossas perspectivas, melhora a relação que temos conosco mesmo e com o mundo.
Psicanálise é terapia para o autoconhecimento.


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Depressão: amiga ou inimiga?


As estatísticas mais recentes têm apontado a depressão como o mal do século. Os prognósticos para este distúrbio de humor o colocam como primeiro problema psicológico para os próximos 20 anos.
A AMA (Associação Médica Americana) explica objetivamente o que é a depressão e seus tipos. As empresas farmacêuticas têm se especializado cada vez mais, elaborando medicamentos eficientes, de acordo com as mais recentes descobertas da Neurociência.
No entanto, a depressão insiste e persiste. Por que?
Os medicamentos combatem os sintomas da depressão, mas não acabam com ela, pois este distúrbio, assim como qualquer outra psicopatologia, tem uma função específica na nossa mente.
As psicopatologias não são apenas efeitos de desordens psíquicas, mas têm um papel dinâmico, comportando-se como um fator de cura também. Qualquer doença, seja ela física ou psíquica, é um meio de autocura, de transformação. Assim, se queremos chegar à cura, precisamos entender a doença.
No caso específico da depressão, o que ela mostra? Podemos sintetizar a mensagem deste distúrbio da seguinte forma:  ela quer nos fazer ver que nossa vida está carecendo de um sentido. Ela se instala progressivamente, sendo o último estágio  de uma tentativa de integração proposta pelo nosso Ser Real.
Nossa psique (alma) nos convida, de tempos em tempos, a produzir mudanças internas, a EVOLUIR. Quando nos negamos a isso, produzimos algum nível de dissociação interna. Evolução significa reintegração com partes de nós até então inconscientes (as diferentes partes do Ser). Para isso, temos que mergulhar em regiões dentro de nós e isso causa medo. Assim, o medo é o principal obstáculo (e não é pequeno!) à metamorfose interior. O medo do desconhecido, por exemplo, é um grande óbice ao processo interno de mudança.
Quando evitamos, seguidamente, esses enfrentamentos que se manifestam, por vezes, só internamente, como um conflito com fantasmas, fantasias ou devaneios, eles acabam se externalizando e vemos esses elementos internos projetados em circunstâncias e pessoas.
A negação crônica do movimento da vida, das pulsões que nos impulsionam a fazer mudanças e tornar nossa vida criativa, é que geram a depressão.
A depressão é uma doença que nos diz: você não está fazendo da sua vida o que deve, não está cumprindo com a vontade do Ser Real para este ciclo de sua existência.   É qual é essa vontade? Cada um tem que descobrir através de um processo de AUTOCONHECIMENTO, exercitando a interiorização. O problema é que o processo depressivo drena a vida, o que faz por vezes necessária a ajuda externa, na forma de uma terapia bem conduzida.
Então, a questão central é: A VIDA ANDA POUCO CRIATIVA! Nós, seres humanos, estamos perdendo o propósito da nossa existência, escolhendo viver de forma mecânica, robótica, nos distanciando de nossa natureza interior, de nossa Verdade. Essa é a causa da crescente depressão que assola estes tempos. Estamos perdendo contato com a VIDA, vivendo por viver, sem o saber.
Assim, no final das contas, a depressão é uma amiga, que nos alerta pela dor, de que precisamos submeter nossa vida a um processo de reflexão.
E se precisamos ser tocados pela dor é sinal de que as tentativas anteriores, mais brandas, que nosso Ser Real tentou para nos levar a uma transformação, falharam. Portanto, a situação é grave. Em vez de rechaçar essa amiga tão sincera, vamos nos voltar para ela e ver e escutar o que ela tem a nos dizer.



sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Auto-expressão e Criatividade

AUTO-EXPRESSÃO E CRIATIVIDADE

Embora a maioria de nós passe o dia todo “expressando-se”, oralmente ou pela escrita, pouco do que dizemos tem relação com os impulsos mais profundos de nossa alma. Em geral, usamos as palavras de forma descuidada, sem perceber que cada uma delas tem uma energia própria e que sempre atinge um alvo.
Os índios nativos dos Estados Unidos dizem: “Escolha suas palavras com cuidado, pois através delas você cria sua realidade”. Mesmo quando sabemos o que queremos dizer, muitas vezes modificamos nossos pensamentos para satisfazer os outros, preferindo nos conformar ao condicionamento tribal a expressar nossa voz interior. Por esse motivo, há muito tempo existe o costume de manter diários para registrar os pensamentos íntimos e, nos últimos anos, um número cada vez maior de pessoas está optando por pagar alguém, como um psicoterapeuta, para ouvi-las sem fazer interrupções ou juízos de valor, nem tentar mudá-las.
O que gostaria de dizer se soubesse que não seria julgado ou interrompido? Que parte sua ainda está à espera para se manifestar?

O PODER DO CORPO MENTAL
Através do Chacra da Garganta, o corpo mental se revela, contribuindo com a lógica, a análise, a razão e a compreensão para o que parece ser um mundo de confusão, irracionalidade emocional e sonhos nebulosos. Proporciona um foco para nossos pensamentos, oferecendo sistemas organizadores através dos quais podemos encontrar ordem em momentos de caos.
Por exemplo: Quando uma idéia intuitiva está chegando à consciência, é o chacra da garganta que transforma a impressão numa forma ou estrutura que pode ser reproduzida e depois manifesta. Trabalhando na direção oposta, a resposta a um ato nosso pode ser registrada como um sentimento ou sensação que depois é convertido pelo chacra da garganta em razão, por meio da criação de sistemas de crença que dizem: “Sinto-me bem e, por isso, acredito que minhas idéias serão bem recebidas”.
Todo(a) empresário(a) deve construir seu êxito repetindo esse modelo, disposto a fazer ajustes secundários quando a resposta é menos favorável e só voltando à fonte da idéia, a intuição, quando o sucesso do produto já é ponto pacífico. O mesmo acontece com nossa vida, onde repetimos padrões de comportamento construídos a partir de sistemas de crenças que foram edificados sobre as experiências e informações do passado, adquiridas com aqueles que conhecemos.
Mesmo que se continue produzindo algo defeituoso, nossa capacidade de nos manter alertas em relação às discrepâncias foi comprometida pela repetição de histórias que nos lembram: “É assim que as coisas são”. Sem contato com nossa intuição e sem o dom do discernimento, continuamos sendo levados por tipos de pensamento que não funcionam mais para nós.
Os sistemas de crenças estruturam nosso mundo e podem ser pessoais (“Acredito que sou atraente”), ou globais (“O mundo é um belo lugar para se viver”). Armados com esse conhecimento, podemos processar todas as nossas experiências, tanto para reforçar a crença quanto para mudá-la, se necessário. Mas os sistemas de crenças mais difíceis de reconhecer e transformar são aqueles baseados em mensagens negativas que nos oferecem um tipo estranho de segurança, onde a influência da alma fica limitada.
Quando a mensagem interior diz, por exemplo: “Nunca serei grande coisa”, ela não ajuda muito a promover a motivação, assim como “O mundo me persegue”, também não. E quanto mais pensamos nessas coisas, mais a mensagem é reforçada por nossas experiências no mundo externo, que nos levam a dizer: “Eu bem que avisei!”.
Os pensamentos ruins criam nossa percepção da realidade.
Essa frase lembra-nos que mesmo quando há outras facetas numa experiência, só vemos o que queremos ver porque precisamos manter a ilusão da segurança. E por que nos apegamos a algo tão destrutivo para a alma? Principalmente porque tememos as mudanças e nossa amnésia tribal nos impede de lembrar que existe uma outra maneira de viver. Mas, felizmente, nada se mantém estático e quanto mais cedo desistirmos de uma crença redundante e nos dermos permissão para nos empolgar com a perspectiva de uma nova identidade, tanto antes teremos um sentimento de realização e paz interior.

A CORAGEM DE MUDAR
O chacra da garganta é o centro da mudança e da transformação. Em termos físicos, a glândula tireóide, que se situa nessa área, produz o hormônio tiroxina. Esse mesmo hormônio é encontrado em girinos e acham que é o catalisador que provoca as metamorfoses do minúsculo peixinho em rã. Quando esse hormônio é removido, o girino só aumenta de tamanho e não consegue se transformar numa rã adulta. Mas, se for acrescentada tiroxina extra num estágio inicial, a larva logo se transforma num anfíbio e, com toda a probabilidade, não vai sobreviver por causa da sua imaturidade. Essa é a capacidade do chacra da garganta: não traz só mudanças, provoca verdadeiras metamorfoses: uma transformação completa do caráter.
Não é de surpreender que a gente se apegue a velhos padrões de comportamento, pois a mudança questiona, desafia, desperta ansiedade, mas também traz liberdade e alegria. Nossa alma comunica seu anseio por mudanças através do sono, palavras dos outros, crises, amor e, claro está, de doenças. A mensagem é captada pelos receptores energéticos do chacra da garganta, mas podemos optar por ignorá-la através de desculpas incríveis, fabricadas pelo próprio intelecto:
- “Eu adoraria, mas...”
- “Não é fácil/ falar é fácil/ é difícil”
- “Ouvi o que você disse, mas você simplesmente não entende!”
- “Quando me aposentar/ quando as crianças saírem de casa/ quando tivermos mais dinheiro/ quando ganharmos na loteria”
- “Estou gorda demais/ magra demais/ ocupada demais/ pobre demais/ carente demais”
- “Sim, mas...”
Escute-se e procure tomar consciência das desculpas que você encontra (mesmo quando não as expressa) em sua tentativa de evitar mudanças; seja honesto, você quer mudar realmente ou só está falando da boca para fora? É tão fácil pedir a opinião dos outros sobre um dilema corrente ao mesmo tempo em que desejamos secretamente que ninguém apareça com uma solução que não possa ser descartada se dissermos: “Acho que você não entendeu o problema, deixe-me explicar...”
Mudança requer coragem, quer implique abandonar algo ou alguém, envolver-se em lugar de fugir, ou renunciar a sistemas de idéias antigos, paralisantes. Segundo minha experiência, 80% de todas as doenças são um despertador que a alma pôs para tocar, insistindo na mudança e, uma vez que consegue sua atenção, não vai abrir mão dela, felizmente!
Por fim, lembre-se de que não podemos alimentar esperança de ajudar os outros durante sua transformação a menos que tenhamos empreendido a viagem nós mesmos, sendo uma das desculpas mais populares para não realizarmos nossas mudanças dizer: “Se ao menos meu marido/ minha mulher/ meu sócio/ meu trabalho/ meu país, etc. mudassem, eu ficaria bem!”

MINHA VONTADE CONTRA A DOS OUTROS
O chacra da garganta é a sede de nossa vontade que, quando concentrada no objeto do desejo, é uma força poderosa, que dirige e atrai, arrastando para nós o que precisamos. Nos primeiros anos do século XX, grandes psicólogos como Freud e Jung ajudaram a dar sentido à miríade de imagens e pensamentos confusos que impregnam nossa mente noite e dia, reconfortando seus clientes, que agora poderiam dar um nome a seu comportamento. Essa tendência continuou e expandiu-se até os dias de hoje, quando surgiu, nos últimos anos, um dilúvio de métodos de controle da mente com vistas ao desenvolvimento pessoal, entre os quais afirmações, PNL e auto-hipnose.
Muitos podem dizer que há pouco mais a aprender sobre a mente e, no entanto, apesar dos avanços psicológicos, foi pequeno o impacto sobre a infelicidade de muitos nesse mundo. Será que, enquanto nos ocupávamos com o interior, esquecemos de nos lembrar de nossa ligação profunda com todos os seres vivos do planeta e que esse tipo de análise pode ser um meio de reforçar os muros protetores da mente em vez de derrubá-los?
Embora uma grande vontade pessoal seja admirável quando uma tarefa precisa ser realizada, também pode ser uma causa de separação de todos os que amamos. Do empresário empolgado com a possibilidade de ter sucesso, passando pela mãe ou pai determinado a dar ao filho a vida que nunca teve e ao adolescente cuja natureza rebelde revela uma vontade férrea, todos têm êxito, mas a que preço? Onde está o divertimento, a espontaneidade, a flexibilidade e o amor? Quando uma motivação profunda está em jogo, até essas dimensões da vida se transformam num negócio a ser administrado!
E o que cria a necessidade de ser voluntarioso, teimoso ou determinado? Talvez seja provar um ponto de vista ou controlar um mundo onde tudo parece caótico e ameaçador. Minha opinião é que aqueles que sentem a necessidade de ser independentes e se sustentar por vontade própria vêm de uma situação de insegurança no chacra da base, onde aprenderam desde cedo que não era possível confiar nos outros e onde “a vontade dos outros” representa opressão, medo ou juízo de valor. Ao canalizar seu impulso criativo para o chacra da garganta e colocá-lo sob o controle da mente, podem dirigir sua vida de um lugar distante, mas seguro. Esses indivíduos costumam ser extremamente intuitivos, recebendo estímulos de todos os sentidos e analisando as informações antes de assumir o risco de falar ou agir.
Uma frase que usam muito é: “Quero entender tudo antes de ir em frente”, que significa realmente “Quero 100% de garantia de que não vou correr riscos/entender mal/ fracassar, ou que me façam sentir-me responsável”. Essas preocupações com insegurança, auto-estima baixa e falta de confiança, estão relacionadas aos chacras inferiores. Como indivíduos, em geral têm uma longa lista de perguntas que precisam ser respondidas antes de se sentirem preparados para se comprometer com qualquer coisa mais profunda. Muitas de suas perguntas são tão abstratas que é impossível dar garantias, o que aumenta a ansiedade e a prudência.
Mesmo mentindo para conquistar sua confiança, o amor é a única resposta para reequilibrar a situação, porque apresenta uma perspectiva diferente da imagem que têm da “vontade dos outros” e aponta que seus sentimentos e idéias serão ouvidos com simpatia. O progresso costuma ser lento, pois sua natureza profundamente desconfiada e mente extremamente analítica relutam em abrir mão do controle e aceitar a mão que lhes foi oferecida.  Uma das sugestões mais irritantes que você pode dar a alguém com desequilíbrio no chacra da garganta é: “Desista!” Isso os deixa fora de si, pois imediatamente ficam tensos, pensando na melhor maneira de desistir.
Ao nos submetermos a uma autoridade superior, à vontade “Dele”, não nos perdemos, ganhamos mais força e liberdade de viver a vida que escolhemos. Essa disposição em abrir mão do controle é exemplificada durante as refeições, onde podemos manter porções na boca pelo tempo que desejarmos, mastigando os prós e os contras. Mas chega um momento em que precisamos engolir e nunca mais ver aquela comida enquanto as fezes não aparecerem na outra ponta. Esse processo físico mostra que quando temos a coragem de renunciar, recebemos nutrição, energia, renovação e tudo o que precisamos fazer é saborear a comida.
Por fim, uma maneira de usar energicamente uma vontade firme para promover a autovalorização é o processo de “tentar”, quando se acredita que “tentando só mais um pouquinho” se terá mais êxito/mais amor/mais respeito, etc. Infelizmente, uma crença dessas só deriva de uma fantasia profunda do tipo “não sou grande coisa”, que arrasta as pessoas até elas desmoronarem exaustas, perguntando onde foi que erraram: “Tentei de tudo e ainda me sinto vazio”.
Felizmente, a essa altura, têm a coragem de parar e refletir sobre sua vida, permitindo que o tempo alimente a mente e o corpo exaustos, e perceber que, embora tenham corrido em círculos tentando se encontrar, aquilo que estavam procurando esperava pacientemente em seu coração, sem exigir nada deles, exceto que voltassem para casa.
Christine Page, em “Anatomia da Cura”, pags. 236 a 241


quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

A Importância do Efeito Placebo

PLACEBOS: O EFEITO DA CRENÇA
Mesmo superficialmente, todo aluno de medicina aprende que a mente tem influência direta sobre o corpo e sabe que as pessoas se sentem melhor quando pensam (ainda que não seja verdade) que estão tomando medicamentos. A cura ou a melhora pela ingestão de pílulas de açúcar é classificada como “efeito placebo”. Meu amigo Rob Williams, fundador da Psich-K, um sistema psicológico de tratamento com base em energia, sugere que o melhor termo a ser usado nesses casos é “efeito percepção”. Eu prefiro chamar de “efeito-crença” para enfatizar que nossas percepções, sejam elas precisas ou não, têm grande impacto sobre nosso comportamento e nosso corpo.
Considero o efeito-crença uma prova da habilidade de cura da mente/corpo. No entanto, por se tratar de algo que “ocorre apenas na mente”, o efeito placebo tem sido associado pela medicina a algo que só funciona com charlatães ou, na melhor das hipóteses, com, pacientes fracos e sugestionáveis. Mas o assunto é abordado muito rápida e superficialmente nas escolas de medicina. Os professores passam logo às matérias que tratam das verdadeiras ferramentas modernas: as drogas e a cirurgia.
Infelizmente, isso é um grande erro. O efeito placebo deveria ser um dos principais tópicos de estudo para estudantes de medicina. Os médicos deveriam ser treinados para reconhecer o poder de nossos recursos internos, e não para considerar o poder da mente como algo simples e inferior ao poder dos elementos químicos ou de um bisturi. Está na hora de deixarem de lado sua convicção de que o corpo e seus membros são desprovidos de inteligência e que precisamos de elementos externos para manter a saúde.
O efeito placebo deveria ser alvo de pesquisas patrocinadas. Se os pesquisadores descobrissem como utilizá-lo, poderíamos ter uma ferramenta mais eficiente, à base de energia e sem efeitos colaterais, para tratar as doenças. Os profissionais que utilizam a energia como instrumento de cura afirmam já ter essas ferramentas; porém, como cientista, acredito que, quanto mais descobrirmos sobre a ciência do placebo, mais facilmente poderemos utilizá-la sob condições clínicas.
Creio que este desprezo da medicina em relação à mente seja resultado não apenas do pensamento dogmático, mas também de aspectos financeiros. Se o poder da mente pode curar doenças, para que ir ao médico? E o mais importante: por que tomar remédio? Para meu desgosto, descobri recentemente que a indústria farmacêutica vêm estudando os pacientes que reagem ao tratamento com pílulas de açúcar com o objetivo de eliminá-los das experiências médicas. É desconcertante para essas empresas saber que na maioria dos experimentos seus medicamentos “falsos” têm o mesmo efeito que os grandes coquetéis químicos (Greenberg,2003). Embora essas empresas insistam em afirmar que não estão tentando, com isso, fazer com que medicamentos ineficazes sejam aprovados pelo governo, fica claro que a eficácia das pílulas placebo são uma ameaça para elas. A mensagem é muito clara para mim: já que não conseguimos competir com o placebo de maneira honesta, vamos eliminar a competição!
É engraçado pensar que os médicos não são treinados para lidar com o efeito placebo, pois alguns historiadores afirmam categoricamente que a história da medicina é a história do placebo. No início, os médicos não dispunham de métodos eficazes para curar as doenças. Os métodos mais conhecidos no passado eram a sangria, o tratamento de ferimentos com arsênico e o famigerado veneno de cobra, utilizado para todos os fins. É claro que pelo menos um terço dos pacientes, aqueles considerados suscetíveis ao efeito placebo, apresentavam melhoras com esses tratamentos. E, mesmo no mundo de hoje, quando os médicos em seus aventais brancosreceitam medicamentos, os pacientes acreditam que vão melhorar e acabam melhorando, seja por meio de pílulas de verdade ou apenas de açúcar.
Embora a questão de como o placebo age ainda seja ignorada pela medicina, alguns pesquisadores já começam a prestar mais atenção ao assunto. Os resultados de seus estudos sugerem que não apenas os tratamentos utilizados no século 19 como a sofisticada tecnologia da medicina atual, com todas as suas ferramentas “concretas”, pode estimular o efeito placebo.
Um estudo da Escola de Medicina Baylor publicado em 2002 no New England Journal of Medicine avaliou o resultado de cirurgias em pacientes com problemas sérios de dores nos jeolhos (Moseley, et al., 2002). O principal autor do estudo, Dr. Bruce Moseley, “sabia” que a cirurgia ajudava seus pacientes: “Todo bom cirurgião sabe que não há efeito placebo em cirurgias”. Mas ele queria descobrir qual parte da cirurgia trazia alívio aos pacientes. Dividiu-os em três grupos e raspou a região da cartilagem danificada de um grupo. No outro grupo, afastou a junta do joelho e eliminou, com a ajuda de um jato d’água, a parte que imaginava estar causando a inflamação. Os dois métodos são considerados tratamentos-padrão para problemas de artrite nos joelhos. Já no terceiro grupo, Moseley “simulou” uma cirurgia. Sedou o paciente e fez três incisões em seu joelho. Durante todo o tempo agiu como se estivesse realmente executando a cirurgia. Jogou até água sobre o local para simular o procedimento. Após 40 minutos costurou as incisões. Prescreveu aos pacientes dos três grupos o mesmo tratamento pós-cirurgia, que incluía um programa de exercícios.
O resultado foi impressionante. Sim, os grupos que receberam a cirurgia de verdade obtiveram melhoras. Mas o grupo placebo também! A conclusão é que, apesar de serem realizadas mais de 650 mil cirurgias em joelhos com artrite por ano, cada uma delas por cerca de 5 mil dólares, uma coisa ficou muito clara para Moseley, que declarou: “Minhas habilidades de cirurgião não resultaram benefício algum para esses pacientes. O único efeito em todas elas foi o placebo”. Os programas de TV anunciaram os resultados da pesquisa e mostraram imagens do grupo placebo andando, jogando basquete e desempenhando tarefas que não conseguiam antes da “cirurgia”. Só ficaram sabendo que não tinham sido operados de verdade dois anos depois. Um deles, chamado Tim Peres, disse que antes andava com a ajuda de uma bengala, mas que hoje consegue jogar basquete com os netos. Em uma declaração para o Discovery Health Channel, resumiu o tema de seu livro: “Qualquer coisa é possível neste mundo desde que sua mente queira. A mente é capaz de verdadeiros milagres”.
Estudos mostram que o efeito placebo também é eficaz no tratamento de diversas outras doenças como a asma e o mal de Parkinson. Em casos de depressão, já se tornou um dos principais métodos utilizados, algo tão comum que o Dr. Walter Brown, da Brown University School of Medicine, sugere pílulas com açúcar como primeiro tratamento em casos de depressão moderada (Brown,1998). Os pacientes são informados de que estão tomando remédios sem ingredientes ativos, mas isso não atrapalha o tratamento. Pesquisas mostram que mesmo quando eles sabem que estão tomando placebo, o efeito acaba sendo positivo.
Uma indicação do poder do placebo é apresentada em um relatório do Departamento norte-americano de saúde e assistência social. Segundo o documento, metade dos pacientes com depressão profunda que toma medicamentos com ingredientes ativos melhora e 32% daqueles que tomam placebo obtêm os mesmos resultados (Horgan, 1999). Mesmo esse estudo, porém, subestima o poder do placebo, pois muitos participantes da pesquisa percebem que estão tomando um medicamento verdadeiro porque sentem os efeitos colaterais que os os outros, que tomam apenas placebo, não sentem. Então, uma vez acreditando que estão tomando pílulas de verdade, tornam-se ainda mais suscetíveis ao afeito placebo.
Bem, com tantos efeitos positivos do placebo, não é de se surpreender que a indústria de antidepressivos de 8,2 bilhões de dólares esteja sendo acusada de exagerar na propaganda sobre a eficácia de suas pílulas. Em um artigo publicado em 2002 no periódico Prevention & Treatment, da American Psychological Association (Associação Psicológica Americana), “The emperor’s new drugs” (As novas drogas do imperador), o professor de psicologia Irving Kirsch, da Universidade de Connecticut, afirma ter descoberto que 80% do efeito dos antidepressivos, segundo experiências clínicas, pode ser atribuído ao efeito placebo (Kirsch et al,.2002). Kirsch usou a lei de liberdade de informações em 2001 para obter informações sobre as experiências clínicas feitas com os antidepressivos mais utilizados no mercado. Não se trata de dados extraídos do instituto Food and Drug Administration (FDA). Os números mostram que em mais da metade dos casos os antidepressivos não foram mais eficazes que o placebo. Kirsch declarou em uma entrevista para o Discovery Health Channel: “A diferença entre o efeito das drogas e o do placebo foi menos de dois pontos na média da escla clínica, que vai de 50 a 60 pontos. É uma diferença muito pequena, quase insignificante sob o ponto de vista clínico”.
Outro fato interessante sobre o efeito dos antidepressivos é que eles vêm obtendo desempenho cada vez melhor em testes clínicos nos últimos anos, o que sugere que seus efeitos placebo se devem, em grande parte, a estratégias de marketing. Quanto mais os efeitos milagrosos dos antidepressivos são divulgados pela mídia e pela propaganda, mais eficazes eles se tornam. As crenças são contagiosas! Vivemos hoje em uma cultura em que as pessoas acreditam que os antidepressivos funcionam. Por isso eles funcionam.
Uma designer do interior da Califórnia chamada Janis Schonfeld, que participou de um teste clínico sobre a eficácia do medicamento Effexor (venlafaxine) em 1997, ficou tão surpresa quanto Perez ao descobrir que vinha tomando placebo. Os comprimidos não apenas aliviaram a depressão que a incomodava havia 30 anos, como os exames que fez mostraram que a atividade de seu córtex pré-frontal havia aumentado (Leuchter ET AL.,2002). Mas a melhora não foi apenas no cérebro. Quando nossa mente se modifica, o corpo acompanha as mudanças. Schonfeld também sentiu náusea, um efeito colateral bastante comum do Effexor. Como a maioria dos pacientes que melhora após um tratamento com placebo e depois descobre que estava tomando pílulas de açúcar, ela achou que o médico tivesse se enganado. Tinha certeza de que estava tomando o remédio verdadeiro e pediu que fossem refeitos todos os exames para se certificar.


Bruce H. Lipton (A Biologia da Crença, cap 5, págs. 163 a 168)

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Mantras Para Aliviar o Corpo de Dor da Humanidade


Em nossas práticas de Yoga, costumamos separar um tempo para mantralizações. Há muitos anos nos dedicamos a essa disciplina e os resultados energéticos são maravilhosos.

Há mantras para diversas finalidades. Separamos alguns, muito conhecidos e consagrados através dos séculos que, acreditamos, são de extrema ajuda para aliviar a carga do corpo de dor da humanidade.

Um mantra deve ser entoado, no mínimo, 108 vezes. A intenção que se deve manter na mente e no coração é explicada abaixo, após a introdução de cada mantra. Pode-se  entoá-los o quanto quiser, a cada dia, semana ou mês.  

Para controlar o número de mantras entoados costumamos usar um japa-mala, colar de 108 contas, próprio para este tipo de prática espiritual.


1)      BARUCH ATOH ADONAI ELOHENU MEHLOCH AHOLUM

(Bendito sejas Tu, Ó Senhor nosso Deus, Rei do Universo!)

Este importante mantra hebraico invoca o senhor todo-poderoso do universo. Se o recitar por um período prolongado de tempo, a pessoa pode sentir um acúmulo de energia positiva no plexo solar e no chacra da garganta.

2)      OM JESU CHRISTAYA PARAMATMANE PURUSHA AVATARAYA NAMAHA

Este mantra declara que Jesus é o verdadeiro mestre do mundo, espírito que preside todos os espíritos, e está revestido da autoridade divina.

3)      HUNG VAJRA PEH

 De acordo com os ensinamentos do budismo tibetano, existe uma esfera de consciência em volta do nosso planeta. Dentro dessa esfera existem forças nocivas que às vezes são chamadas de “formas-pensamento”. Esses blocos de energia negativa gerados pela raiva, pela violência, pelos acontecimentos terríveis (como guerras mundiais) e outros aspectos infames da consciência causam devastação todos os dias. Circulando como gotas de óleo dentro do oceano da consciência, essas partículas de sujeira têm de ser neutralizadas de alguma maneira.  Os tibetanos usam o mantra de Vajrapani para remover essas partículas de sujeira da consciência. No seu aspecto de protetor dos devotos e iniciador dos habilitados, o Vajrapani é representado erguendo um raio com trovão acima da cabeça, numa mão estendida. A face do protetor é uma visão horrenda, mas, no mesmo instante em que o fragmento é neutralizado, o semblante adquire um aspecto de terna compaixão, mostrando que Vajrapani está pronto para introduzir o devoto nos mistérios espirituais mais elevados.

Durante a mantralização, visualize a camada de consciência que envolve a Terra sendo purificada das energias negativas.


4)      OM VAJRA SATTWA HUM

 Esta forma-pensamento tibetana de pensamento, de um branco intenso e azulado, é usada para criar clareza mental. Nas meditações tradicionais do budismo tibetano, uma pequena figura branca é visualizada sentada cerca de trinta centímetros acima da cabeça da pessoa. Quando o mantra é recitado, a figura emite um raio de luz branca que entra pelo topo de sua cabeça. Consequentemente, todos os padrões mentais e hábitos negativos são eliminados através da aura, dos chacras e do corpo etérico. O lixo é então absorvido pela Terra, que sabe como recicla-lo e transforma-lo em energia aproveitável.

Para usar esse mantra em favor do planeta, recite-o enquanto visualiza a Terra livrando-se do lixo que a humanidade produziu para a energia transformadora da luz solar. A energia da luz solar limpa a aura da Terra todos os dias. Com nossos esforços, estaremos acelerando e intensificando esse processo.

5)      NAMO KWAN SHI YIN PU SA

Kwan Yin é a forma feminina chinês de Avaloketeshwara. Entre os arquétipos budistas, Kwan Yin é uma fonte de grande compaixão. A consciência pode expandir-se, o conhecimento aumentar e os poderes espirituais manifestarem-se, mas sem compaixão eles são pouco mais que poeira ou palha. Jesus sugeriu isso quando disse que, sem amor, não temos nada. A idéia é a mesma aqui. O mantra Kwan Yin impregna o invólucro de consciência que circunda a Terra com uma compaixão dinâmica que se manifesta como graça e misericórdia. Recitar o mantra Kwan Yin é contribuir para aumentar a existência de uma compaixão ativa entre todos.

6)      OM HA KSA MA LA VA RA YAM SWAHA

 Kalachakra é o espírito da Roda do Tempo, a última lição que Buda ensinou antes de morrer. Recitar este mantra é uma forma pessoal de acelerar o próprio desenvolvimento. Recita-lo em favor do planeta ajudará a Terra na sua jornada espiritual.

7)      OM NAMA SHIVAYA

 Jesus disse: “Sede perfeitos como o Vosso Pai no Céu é perfeito”. As práticas do Extremo Oriente da tradição siddha já levavam esse ditame a sério, muitos séculos antes de Jesus nascer. Siddha é um ser que alcançou a perfeição. Isso quer dizer que cada chacra tornou-se perfeito no domínio do princípio energético básico que corresponde a ele. O elemento terra corresponde ao chacra da base da coluna; o elemento água corresponde ao segundo chacra; o fogo, ao terceiro; e assim por diante.

Quando Jesus andou sobre as águas, ele provou que dominava o princípio que rege o segundo chacra. Moisés fez o mesmo quando separou as águas para que os fiéis que deixavam o Egito pudessem passar. Quando Jesus acalmou a tempestade sobre o mar, ele demonstrou que dominava o princípio do quarto chacra. Também quando ele disse: “Céu e Terra poderão desaparecer, mas minhas palavras nunca morrerão”, ele demonstrou ter pleno domínio do princípio que rege o quinto chacra.

Para os mestres siddha da Índia, Jesus seria um deles. Um de seus mantras mais importante é Om Nama Shivaya. Recite este mantra hindu com a idéia em mente de que todos nós devemos nos tornar perfeitos, cada um à sua maneira.

8)      OM EIM SARASWATYEI SWAHA

 Saraswati, por cujo poder da fala (Vach) o universo foi criado, confere todo tipo de conhecimento. Recite o mantra Saraswati com a intenção de elevar conscientemente o conhecimento, entre os seres humanos, a níveis mais elevados. Finalmente, quando soubermos o bastante, os hábitos nocivos de nossa espécie simplesmente se dissiparão.


9)      OM MANI PADME HUM

 Este é o célebre mantra que costuma ser traduzido como “A jóia da consciência está no coração do lótus”.

Avaloketeshwara é considerado um ser espiritual que alcançou um nível espiritual tão elevado que era como se tivesse escalado a montanha mais alta, chegando a um muro de pedras no seu topo. Uma vez ali, Avaloketeswara pulou para cima do muro de pedras e estava prestar a saltar dele, quando então ele entraria definitivamente em outro nível de ser e deixaria para sempre a humanidade. Nesse instante, ele ouviu um forte gemido atrás de si. Virando-se, viu o inconsciente coletivo da humanidade começando a lamentar a perda de sua presença. Tomado de compaixão, ele decidiu adiar essa etapa final da iluminação, sua beatificação definitiva, em favor de todos os seres vivos. Essa decisão tornou-se o “Juramento de Bodhisatwa”, o juramento de servir a todas as formas de vida consciente. Muitos budistas sérios faziam esse juramento. O grau de seriedade dos que fazem esse juramento varia, mas pensando bem, todos os grandes mestres espirituais da humanidade devem ter feito um juramento ou tomado uma decisão desse tipo, do contrário por que voltariam para nos ajudar?

A disciplina espiritual que faz uso do célebre mantra Mani é empreendida para promover a idéia de desenvolvimento espiritual associado ao ato de servir à vida. Durante a mantralização, recite-o sabendo que está colocando seu ombro metafísico na mesma roda que os mestres estão constantemente empurrando – a roda da evolução espiritual da humanidade.

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Se você se sentir preparado, organize a sua sessão mântrica. Ela não tem de ser nem grandiosa nem complicada. De acordo com os textos orientais, Deus reconhece as intenções do coração, mesmo quando os recursos são escassos. Com a mera prática mântrica, nem que seja só por curiosidade, você estará prestando um enorme serviço a todas as formas de vida do Planeta Terra.


                                                                                                                                Namastê!

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Considerações Sobre Amor-Próprio e Egoismo


Remexendo minha pequena,mas rica biblioteca, encontrei um livro de Erich Fromm, “A Arte de Amar”, onde ele faz reflexões interessantes sobre todos os tipos de amor.
Há um subtítulo no Capítulo 3 que fala sobre a diferença entre amor próprio e egoísmo.

Acreditando ser útil esclarecer o significado de cada um, transcrevemos abaixo o citado trecho:

Embora não haja nenhuma objeção à aplicação do conceito de amor a vários objetos, é uma crença muito difundida a de que, se é virtuoso amar os outros, é pecado amar a si mesmo. Considera-se que, se Omo a mim mesmo, não amo mais ninguém, que o amor a si mesmo é a mesma coisa que o egoísmo. Essa ideia está arraigada há muito tempo no pensamento ocidental. Calvino fala do amor a si mesmo como se fosse uma “peste”. Freud fala de amor a si mesmo em termos psiquiátricos, mas seu juízo de valor é igual ao de Calvino. Para ele o amor a si mesmo é a mesma coisa que o narcisismo, é a libido voltando-se para si mesma. O narcisismo é o primeiro estágio do desenvolvimento humano, e a pessoa que, mais adiante na vida, volta a seu estado narcísico é incapaz de amar; nos casos extremos, é insana. Freud considera que o amor é a manifestação da libido, e que a libido é ou voltada para os outros (amor) ou para si mesmo (amor a si mesmo). Amor e amor a si mesmo são, portanto, mutuamente exclusivos no sentido de que quanto mais há de um, menos há do outro. Se o amor a si mesmo é ruim, então a abnegação é virtuosa.

Põe-se a questão: a observação psicológica suporta a tese de que há uma contradição básica entre amor a si e amor aos outros? O amor a si é o mesmo fenômeno que o egoísmo ou trata-se de fenômenos opostos? Além disso, o egoísmo do homem moderno é de fato uma preocupação consigo mesmo enquanto indivíduo, com todas as suas potencialidades intelectuais, emocionais e sensuais? Será que “ele” não se tornou um apêndice de seu papel socioeconômico? O egoísmo é mesmo idêntico ao amor a si ou não seria causado pela falta desse amor?
Antes de iniciarmos a discussão do aspecto psicológico do egoísmo e do amor a si mesmo, precisamos apontar a falácia lógica existente na noção de que o amor aos outros e o amor a si são mutuamente exclusivos. Se é uma virtude amar o próximo como ser humano, deve ser uma virtude – e não um vício – amar a mim mesmo, já que também sou um ser humano. Não há concepção do homem em que eu mesmo não esteja incluído. Uma doutrina que proclame tal exclusão se revela intrinsecamente contraditória. A ideia expressa do “ama o próximo como a ti mesmo” da Bíblia implica que o respeito a si mesmo, o amor e a compreensão por si mesmo não podem ser separados do respeito, do amor e da compreensão por outro indivíduo. O amor por meu próprio eu é inseparavelmente ligado ao amor por qualquer outro ser.

Chegamos agora às premissas psicológicas básicas em que se fundamental as conclusões de nossa argumentação. Em geral, essas premissas são as seguintes: não apenas os outros, mas nós mesmos somos o “objeto” de nossos sentimentos e de nossas atitudes, as atitudes em relação aos outros e a nós mesmos, longe de serem contraditórias, são basicamente conjuntivas. No que concerne ao problema que estamos discutindo, isso significa: o amor aos outros e o amor a nós mesmos não são alternativas. Ao contrário, uma atitude de amor a si mesmo será encontrada em todos os que são capazes de amar os outros. O amor, em princípio, é indivisível no que concerne à conexão entre “objetos” e nosso próprio ser. O amor genuíno é uma expressão de produtividade e supõe cuidado, respeito, responsabilidade e conhecimento. Não é um “afeto” no sentido de ser afetado por alguém, mas um esforço ativo no sentido do crescimento e da felicidade da pessoa amada, arraigado em nossa própria capacidade de amar.

Amar alguém é a realização e a concentração do poder de amar. A afirmação básica contida no amor é dirigida para a pessoa amada como uma encarnação de qualidades essencialmente humanas. O amor a uma pessoa implica o amor ao homem como tal. Essa espécie de “divisão de trabalho”, conforme William James a chama, pela qual uma pessoa ama sua família mas não tem nenhum sentimento para como o “estranho” é indício de uma incapacidade básica de amar. O amor ao homem não é, como se costuma supor, uma abstração que vem depois do amor por uma determinada pessoa, mas é sua premissa, se bem que seja geneticamente adquirida amando-se indivíduos determinados.
Decorre daí que meu eu tem de ser objeto do meu amor tanto quanto outra pessoa. A afirmação da minha vida, da minha felicidade, do meu crescimento, da minha liberdade, arraiga-se na minha capacidade de amar, isto é, no cuidado, no respeito, na responsabilidade e no conhecimento. Se um indivíduo é capaz de amar produtivamente, ele também se ama; se ele só pode amar os outros, é que na verdade não pode amar. Admitindo-se que o amor a si mesmo e aos outros é, em princípio, conjuntivo, como explicaremos o egoísmo, que exclui obviamente qualquer preocupação genuína pelos outros? A pessoa egoísta só se interessa por si mesma, quer tudo para si, não tem prazer em dar, apenas em tomar. Ela vê o mundo exterior unicamente do ponto de vista do que pode dele obter; ela não se interessa pelas necessidades alheias, nem tem consideração pela dignidade e pela integridade delas. Não enxerga nada, além de si mesma; julga todos e tudo do ponto de vista da utilidade que podem ter para si; é basicamente incapaz de amar. Isso acaso não prova que a preocupação pelos outros e a preocupação por si são alternativas inevitáveis? Seria assim, se o egoísmo e o amor a si mesmo fossem idênticos. Mas admitir tal hipótese é uma falácia que levou a muitas conclusões errôneas com relação a nosso problema. Egoísmo e amor a si mesmo, longe de serem idênticos, na verdade são opostos. A pessoa egoísta não se ama muito, ela se ama pouco; na verdade, ela se odeia. Essa falta de carinho e de cuidado por si mesmo, que nada mais é que a expressão da sua falta de produtividade, deixa o egoísta vazio e frustrado. Ele é necessariamente infeliz e tenta ansiosamente arrancar da vida as satisfações que se impede de alcançar. Parece preocupar-se demasiado consigo, mas na verdade apenas faz uma tentativa malsucedida de dissimular e compensar seu fracasso em cuidar de seu eu verdadeiro. Freud considera que o egoísta é um narcisista, como se houvesse retirado seu amor dos outros e voltado todo ele para a sua pessoa. É verdade que as pessoas egoístas são incapazes de amar os outros, mas também não são capazes de amar a si mesmas.

É mais fácil entender o egoísmo comparando-o com a insaciável preocupação com os outros, que encontramos, que encontramos por exemplo, na mãe super-protetora. Embora ela conscientemente acredite ter uma hostilidade profundamente reprimida contra o objeto da sua preocupação. Ela se preocupa em excesso com ele não apenas porque ama muito o filho, mas porque precisa compensar sua falta pura e simples de capacidade de amá-lo.

Essa teoria da  natureza do egoísmo nasceu da experiência psicanalítica com a “abnegação” neurótica, um sintoma de neurose observado em não poucas pessoas que normalmente não se sentem perturbadas por esse sintoma, mas por outros ligados a ele, como a depressão, o cansaço, a incapacidade de trabalhar, o fracasso nos relacionamentos amorosos, e assim por diante. Não apenas essa abnegação não é sentida como um “sintoma”, como costuma ser o traço de caráter redentor de que tanta gente se orgulha. A pessoa “abnegada” não quer nada para si”; ela “vive só para os outros”, orgulha-se de não se considerar importante. Fica intrigada ao constatar que, apesar da sua abnegação, é infeliz, e que seus relacionamentos com os mais próximos dela são insatisfatórios. O trabalho analítico revela que sua abnegação não é algo separado dos outros sintomas que apresenta, mas um deles – na verdade, costuma ser o mais importante de todos; revela que ela está bloqueada em sua capacidade de amar ou de aproveitar o que quer que seja; que está impregnada de hostilidade contra a vida e que por trás da fachada abnegada está escondido um egocentrismo sutil, mas nem por isso menos intenso. Essa pessoa só pode se curar, se sua abnegação também for interpretada como um sintoma dentre outros, de modo que sua falta de produtividade, que está na raiz tanto da abnegação como de seus outros problemas, possa ser reparada.

A natureza da abnegação se torna particularmente patente em seus efeitos sobre os outros, e na maior  parte das vezes, em nossa cultura, no efeito da mãe “abnegada” sobre seus filhos. Ela acredita que, graças à sua abnegação, seus filhos experimentarão o que é ser amado e aprenderão, por sua vez, o que significa amar. No entanto, o efeito da sua abnegação não corresponde de maneira nenhuma às suas expectativas. Os filhos não denotam a felicidade das pessoas convencidas de que são amadas; são ansiosos, tensos, temem a desaprovação da mãe e anseiam por corresponder às suas expectativas. Normalmente, todos eles são afetados pela hostilidade oculta da mãe contra a vida, que eles muito mais sentem do que reconhecem claramente, e acabam eles próprios imbuídos dela. Globalmente, os efeitos que a mãe “abnegada” produz sobre seus filhos não é muito diferente dos da mãe egoísta; na verdade, costumam ser piores, porque a abnegação da mãe impede que os filhos a critiquem. Eles se vêem na obrigação de não desapontá-la; são ensinados, sob a máscara da virtude, a não gostar da vida. Se você tiver a oportunidade de estudar o efeito de uma mãe dotada de verdadeiro amor a si, poderá ver que nada conduz tão bem o filho à experiência do que é o amor, a alegria e a felicidade, do que ser amado por uma mãe que se ama.


A melhor maneira de resumir essas idéias de amor a si mesmo é citar Mestre Eckhart sobre esse ponto: “Se você ama a si mesmo, você ama todos os outros tanto quanto a si mesmo. Se você ama outra pessoa menos do que se ama, na verdade não conseguirá amar a si mesmo; mas, se você amar a todos, inclusive você, igualmente, então amará todos eles  como se fossem uma só pessoa, e essa pessoa é ao mesmo tempo Deus e homem. É assim uma grande e virtuosa pessoa que, amando-se, ama igualmente todos os outros”.