quinta-feira, 3 de abril de 2014

Os Mandamentos do Yoga: Yamas e Niyamas (Parte II)


Continuando com nosso tema, vamos explicar agora os Niyamas.

Como afirmamos anteriormente, Niyamas são observâncias ou regras de vida. São em número de cinco, como segue.


SAUCHA:

Saucha significa purificação e deve ser compreendido nos níveis físico, emocional e mental.

Pureza física diz respeito à higiene do corpo, tanto interna como externa. Não basta manter o corpo limpo por fora, mas também deve-se limpá-lo por dentro, purificando-o de toxinas. Para isso existem muitos métodos. No Yoga, trabalhamos com os Kriyas, exercícios especiais de limpeza interna que alcança o nível energético.

A purificação emocional está intimamente associada à devoção a Deus, ao cultivo do amor consciente. O amor ao divinal limpa o indivíduo de sentimentos negativos de ira, ódio, luxúria, cobiça, orgulho, etc.

Uma boa limpeza emocional se consegue, por exemplo, escutando música clássica, fazendo passeios em bosques e praticando meditação.

No aspecto mental, deve-se cultivar o bom humor, praticar técnicas de concentração, evitar contato com pessoas más e buscar o silêncio sempre que possível. Isso trará a serenidade necessária à mente.

 

SANTOSHA:

Quer dizer contentamento. Estar alegre, em paz, traz um tremendo bem-estar ao indivíduo. A alegria brota espontaneamente na pessoa que anda de acordo com os preceitos da consciência.

Para se conseguir santosha é preciso aprender a não se identificar com as diversas circunstâncias da vida. Uma pessoa que não se afeta com facilidade vai se tornando serena, emanando paz de seu interior. Isso trará uma progressiva descomplicação no decorrer de sua vida, pois uma pessoa genuinamente alegre e serena é facilmente amada e querida por todos.

No livro “Yoga e Consciência”, de Antonio Renato Henriques, pág. 181, encontramos o seguinte: “Santosha (o contentamento) é algo que surge espontânea e necessariamente como conseqüência do progresso no Yoga. A alegria própria do Santosha não é aqueça dos desejos satisfeitos, ao contrário, surge ela de um deleite do ser consigo mesmo, a partir de um desapego dos frutos da ação e de uma indiferença em relação às circunstâncias. Possui santosha aquele que mantém seu ritmo e sua alegria interior num ambiente de guerra ou paz, num clima de chuva ou sol. O yogue é um homem feliz e em paz, pois sua profunda alegria não se desfaz segundo as circunstâncias. O contentamento atua como uma armadura protetora que não permite que o ser sucumba diante dos revezes. Tal alegria atua também de modo irradiante, incluindo as tristezas alheias sob suas asas protetoras. Como disse La Ferriére: se não pudermos estar sempre alegres, podemos ao menos estar sempre em paz. Isto significa que, mesmo quando a miséria do mundo não consegue assimilar a alegria do yogue, pode ao menos ser receptiva a sua paz. Santosha é uma benção do alto a todos aqueles que perseverem no Caminho, e demonstra que o Yoga deve ser praticado com responsabilidade porque sendo um processo acelerado de crescimento, deve se dar sem violentações, de modo natural”.

 

TAPAS:

O termo “tapas” significa queimar, arder, brilhar, consumir pelo calor. Assim, Tapas diz respeito a austeridade e disciplina, imprescindíveis para o triunfo, seja material ou espiritual.

Existem muitos tipos e graus de austeridade.  Patanjali afirma: “O auto-esforço produz a destruição das impurezas e a conseqüente perfeição do corpo e dos sentidos”. Todo aquele que aspira a níveis de consciência mais profundos deve submeter-se a uma disciplina espiritual, a uma série de exercícios e meditações. Em nosso caso particular, tratamos de conhecimento de técnicas orientais, de tipo yogue.

Yengar diz que: “Pelo Tapas o yogue desenvolve a força do corpo, da mente e do caráter. Ganha coragem e sabedoria, integridade, rápido progresso e simplicidade”.

 

SYADHYAYA:

A palavra “svadhyaya” quer dizer ida para dentro de si mesmo. Indica a auto-reflexão em busca do autoconhecimento. Baseado nesta noção, o aspirante leva tudo que aprende à reflexão. Toda teoria que aprendeu ou estuda é direcionada ao enriquecimento interior. A praticidade é um elemento constante neste niyama, pois nenhum estudo é feito, nenhuma nova teoria é aprendida, se não for em função do autoconhecimento.

Svadhyaya induz a um estudo meditativo. Seu praticante busca refletir sobre a essência contida nos livros sagrados (Bíblia, Alcorão, Tao Te King, Pistis Sofia, etc.) sem perder o contato com sua realidade interior. Essa disciplina dá vida a tudo que estudamos.

Aqueles que apenas lêem sem compreender o que lêem estão perdendo tempo. Teorias não podem realizar mudanças em nosso interior, mas a reflexão profunda pode. Os conhecimentos adquiridos só tem valor se estiverem encadeados a um objetivo superior. Saber por saber é apenas encher a mente de informações e nada mais.

 

ISHVARA-PRANIDHANA:

Este termo sânscrito significa “depositar diante do Senhor”. Refere-se à ação desinteressada.

Ação desinteressada quer dizer sem apego ao fruto das obras, ofertando-as a Deus, fonte única de tudo.

O desapego só se faz possível mediante a eliminação do egoísmo e o desenvolvimento do amor. Através da meditação podemos chegar à compreensão profunda destas questões, mesmo porque uma pessoa apegada a coisas, pessoas e valores de personalidade, dificilmente crescerá espiritualmente. A renúncia é um fator indispensável no caminho espiritual autêntico. Renunciar não é viver na miséria, privando-se de tudo, mas é ofertar tudo a Deus, desapegar-se, não sofrer se tiver que abrir mão de algo.

Não esperar recompensas pelo bem praticado é uma atitude sábia que traz paz interior e amadurecimento psíquico.

O verdadeiro desapego só advém por compreensão, maturidade psicológica. Existem graus e graus de desapego, desde o campo material, passando pelo emocional até o mental.

Uma pessoa pode não ter apegos fortes a bens materiais, mas pode tê-los bem arraigados a pensamentos, conceitos, regras de vida, etc.

A entrega a Deus é um elemento devocional resultante da compreensão. Como diz Yengar, no verdadeiro amor não há lugar para divisões, pois quando desaparece o sentimento do meu e do teu, a alma atinge sua maturidade.

               

Yamas e Niyamas: Os Mandamentos do Yoga (parte I)

Yama e Niyama formam a base moral do Yoga e se assemelham aos preceitos de muitas religiões e escolas filosóficas.
O termo “yama” significa controle, domínio. Representa os refreamentos necessários para se alcançar os estágios mais elevados da disciplina yogue.
Aclaramos que, sendo o Yoga amoral, as normas de comportamento ou Yamas destinam-se apenas a auxiliar no controle da mente e ajudar na obtenção da iluminação espiritual.

Os Yamas são em número de cinco:

1)      AHIMSA (não-violência)
2)      SATYA (veracidade)
3)      ASTEYA (abstenção do roubo)
4)      BRAHMACHARYA (abstenção do sexo)
5)      APARIGRAHA (não-possessividade)

O termo “niyama” quer dizer observância ou regra de vida, referindo-se às normas de conduta que se aplicam à disciplina individual. Os Niyamas também são em número de cinco, conforme segue abaixo:

1)      SAUCHA (purificação)
2)      SANTOSHA (contentamento)
3)      TAPAS (austeridade)
4)      SVADHYAYA (auto-reflexão)
5)      ISHVARA-PRANIDHANA (ação desinteressada)

Vejamos cada um separadamente:

AHIMSA:
Ahimsa significa não-violência, não-reação, possuindo um sentido amplo de amor. Esse amor estende-se a toda a Criação. Segundo esse yama, destruir uma coisa ou um ser é insultar ao Criador.
A violência é fruto do medo, da fraqueza, da ignorância e da inquietação. Para se praticar o Ahimsa é preciso superar o medo. Isso é possível mudando-se de atitude perante a vida e reorientando a mente. O fortalecimento da fé e a superação da ignorância fazem a violência diminuir de intensidade.
O ahimsa prega o perdão e isso significa receber com agrado todas as manifestações desagradáveis de nossos semelhantes. Esse esforço por perdoar leva ao aperfeiçoamento espiritual.
Devemos nos opor ao mal e não às pessoas más. É possível estabelecer corretivos para erros cometidos sem chegar à prática da violência. O amor deve acompanhar a oposição ao mal, pois tal oposição, sem amor, gerará violência.
Toda e qualquer luta contra o mal é vencida quando o amor é o eixo  de cada atitude. O amor é a energia mais poderosa que existe no Universo.
A prática do ahimsa nos liberta do medo e da ira.
Gandhi foi um grande exemplo de ahimsa. Ele libertou a Índia através da prática deste preceito. Ele disse: “O auto-sacrifício de um único homem é milhões de vezes mais poderoso do que o sacrifício de homens que morrem matando outros”.

SATYA:
Satya, ou verdade, é a mais elevada regra de conduta. A verdade purifica quem a busca e a pratica. Uma pessoa mentirosa jamais crescerá espiritualmente, pois a verdade brota de Deus.
Precisamos cultivar a verdade em todos os níveis e aspectos: palavras, pensamentos e obras.
Segundo o Yoga, há quatro pecados da língua: a) Abuso e obscenidade; b) Afirmar falsidades; c) Caluniar ou fazer intrigas; e d) Ridicularizar o que é sagrado para outros.
Se queremos nos libertar do mal, devemos aprender a controlar a língua. Como diz a Bíblia, livro sagrado dos cristãos, perigoso não é o que entra pela boca, mas o que sai dela. O nível de controle da língua está na razão direta do AUTOCONTROLE.
Quem cultiva a verdade possui um alto magnetismo, inspirando respeito e admiração entre os outros. O êxito lhe chega, suas necessidades são supridas sem que necessite correr atrás delas, pois a verdade é seu escudo e sua proteção. Observe a vida prática e notará que isso é um fato. Quem vive segundo os preceitos da Verdade aproxima-se de Deus e permite que Ele atue em sua vida. Pratique a Verdade e contemple as mudanças positivas que se darão em sua vida.

ASTEYA:
Significa não-roubar. Abarca dois sentidos: abster-se de tomar bens ou objetos alheios e, também, não suar o que pertence a outros sem permissão. Desta forma, Asteya refere-se à apropriação indevida, má administração e abuso de confiança.
Asteya ensina a diferença que há entre desejo e necessidade. Há muitas coisas que usufruímos por desejo, acreditando tratar-se de uma necessidade. A vida moderna está baseada na cultura cumulativa, onde vale mais quem tem mais, seja material ou intelectualmente.
Aquele que está em processo de amadurecimento espiritual percebe que o apego aos bens é desnecessário e vai, pouco a pouco, se libertando do desejo de posse. Os desejos dão nascimento à cobiça e esta destrói a paz e a tranqüilidade.
Aclaramos que o crescimento espiritual não é sinônimo de miséria material. O equilíbrio é básico em todas as coisas. A questão fundamental é a ausência de desejos, que nos dá discernimento e qualidade de espírito.

BRAHMACHARYA:
A palavra “brahmacharya” quer dizer caminhar com Brahma. Refere-se ao celibato temporário, onde o indivíduo aprende a dominar a energia sexual para, posteriormente, dedicar-se ao Tantrismo.
Hoje em dia, o Brahmacharya é mal compreendido. Não basta ser celibatário, é necessário dar uma direção positiva à energia criadora e isso é possível por meio de ásanas e pranayamas (posturas de yoga e exercícios respiratórios).
A abstenção sexual é destinada a aumentar o potencial energético e a concentração da mente. A energia sexual é sagrada para os hindus, tendo uma grande importância no processo de crescimento espiritual.

APARIGRAHA
Significa não-acúmulo. Refere-se à renúncia ao sentimento de posse e à ambição por bens materiais.
É um preceito a ser seguido por aqueles que vêm seu caminho de vida indo na direção da espiritualidade.
Aclaramos que o Yoga não é contra a posse de bens e sim contra o sentimento de posse. Isso se deve a que tal sentimento impede que se alcance o Samadhi (Iluminação).

Para tornar o conceito mais claro, citamos B.K.S.Yengar, em sua obra “A Luz da Ioga”, págs. 36 e 37: “Pela observância da aparigraha, o iogue torna sua vida tão simples quanto possível e treina sua mente para não se ressentir da perda de coisa alguma. Então tudo aquilo que ele realmente necessitar virá a ele por si só, e na hora certa. A vida de um homem comum está repleta de uma série interminável de perturbações, de frustrações e de suas reações a elas. Assim, dificilmente existe qualquer possibilidade de manter a mente num estado de equilíbrio. O sadhaka desenvolveu a capacidade de ficar satisfeito com o que quer que lhe aconteça. Assim conquista a paz que o leva além dos reinos da ilusão e da miséria de que nosso mundo está saturado”.

terça-feira, 25 de março de 2014

Como Funcionam as Essências Florais

COMO FUNCIONAM AS ESSÊNCIAS FLORAIS
(por Ian White)
O conceito de cura compartilhado por grandes homens desta área como Hipócrates, Paracelsus, Hahnemann, Bach e Steiner, entre outros, era muito simples. Todos concordavam que uma boa saúde física era o resultado da harmonia entre os corpos emocional, mental e espiritual e verificaram que, ao tratar os desequilíbrios psicológicos de seus pacientes, suas doenças físicas eram curadas.
A própria doença em si é a manifestação física de um desequilíbrio emocional que ocorre principalmente quando o indivíduo não está em contato com seu Eu Superior. No entanto, a doença não é algo a ser temida nem deve ser motivo de preocupação. Ao contrário, ela pode ser encarada como um indício de que alguma coisa na vida da pessoa está fora de equilíbrio. Consequentemente, uma doença ou enfermidade pode ser encarada como uma qualidade positiva, pois pode indicar à pessoa como voltar a seu caminho original. Cada um possui um plano e um objetivo específico de vida e, uma vez estando consciente e seguindo estes propósitos, a vida da pessoa fluirá muito mais facilmente.
O Dr. Bach expressava-se muito bem quando dizia que as essências florais “elevam nossas vibrações e abrem nossos canais para receber nosso Eu Espiritual; inundam nossa alma com virtudes especiais, livrando-nos de todas as falhas. Elas são capazes, assim como uma bela música ou uma gloriosa fonte de inspiração, de elevar nossas almas e colocar-nos mais próximos de nós mesmos e, atuando desta maneira, dão-nos paz e alívio para nosso sofrimento. Elas curam sem atacar a doença, mas inundando nossos corpos com vibrações maravilhosas de nossa natureza superior na presença das quais qualquer enfermidade derrete como neve ao sol”.
Embora o mecanismo de sua ação não tenha sido inteiramente provado, muita pesquisa tem sido feita com as essências florais. Richard Gerber, MD, no seu excelente livro “Medicina Vibracional”, revê estas pesquisas e apresenta suas próprias teorias. Gerber mostra claramente que as doenças físicas e emocionais podem ser curadas pelo equilíbrio e tratamento de nossos corpos de energia sutil, os corpos etérico, astral, mental e causal, junto às nossas energias Espirituais Superiores. Esses corpos de energia sutil têm um papel muito importante em manter-nos saudáveis.
De acordo com Gurudas, autor do livro “Flower Essences”, dentre as três formas mais importantes de remédios vibracionais – essências florais, remédios homeopáticos e elixir de pedras preciosas – as essências florais são as melhores e a modalidade mais efetiva para alcançar e tratar dos corpos de energia sutil, os meridianos e o corpo físico. Diz ele que os remédios homeopáticos atuam em nível físico e nos campos bio-magnéticos do corpo. Alguns destes podem afetar os chacras e os corpos sutis, mas não com tanta eficácia quanto as essências florais. Os elixires de pedras preciosas atuam similarmente às essências florais, porém não no mesmo grau, pois não têm a mesma potência de força vital.
Gerber menciona que o termo “vibração” é um sinônimo de freqüência e que a única diferença entre uma substância densa como um antibiótico ou um pedaço de madeira e uma substância sutil como uma essência floral é a freqüência na qual elas vibram. Substâncias sutis vibram a uma velocidade que excede a velocidade da luz. Os medicamentos vibracionais que contém energias sutis de alta freqüência agem nos corpos de energia sutil e em nível dos veículos emocional, mental e espiritual.
Gurudas faz uma observação muito interessante sobre a maneira como as essências florais atuam nos corpos físico e sutil. Quando uma essência é ingerida ou absorvida pela pele ela é assimilada inicialmente pela corrente sanguínea, ficando aí a meio caminho entre o sistema circulatório e nervoso. Neste local, uma corrente eletro-magnética é criada pela polaridade desses dois sistemas. As essências então vão diretamente aos meridianos que são mecanismos vitais de contato entre os corpos sutil e os chacras, para outros corpos sutis e retornando ao corpo físico. Essa expansão também aumenta a força vital da essência floral e ajuda na sua assimilação. A essência chega às partes desequilibradas do corpo mais rapidamente e de uma forma mais estável.
Segundo Gurudas, as essências florais limpam a aura e os corpos sutis para que os desequilíbrios não causem mais doenças. Essa limpeza ocorre instantaneamente, porém os resultados levam mais tempo para se manifestar. As estruturas de sílica cristalina tipo quartzo tais como as existentes na corrente sanguínea, nas unhas, e no cabelo, amplificam e transmitem nos corpos sutis as energias curativas das essências florais para seus campos de ação apropriados e nas freqüências corretas. Todo esse processo é semelhante à forma como as ondas de rádio atingem um cristal num rádio, para que o cristal ressoe com as altas freqüências assimilando-as e transformando-as em freqüências auditivas que possam ser escutadas pelo ouvido humano.
Uma pessoa pode ter vários problemas emocionais e as essências florais ajudam a trabalhar essas camadas de bloqueios emocionais. As essências são auto-ajustáveis, o que quer dizer que são efetivas somente até o ponto onde a pessoa está preparada para atingir. Elas também agem como suaves catalisadores levando a pessoa até aquele determinado ponto, ajudando-a a passar para a próxima etapa. Além do mais são totalmente seguras e sem efeitos colaterais.
É claro que quanto mais as pessoas desenvolverem uma autoconsciência por meio de práticas de crescimento pessoal, meditação e também uma grande vontade de confrontar e explorar seus sentimentos, mais rapidamente os remédios agirão.
A beleza das essências está no fato de que qualquer pessoa pode usá-las, uma vez que são totalmente inócuas.
Na maioria dos casos, os remédios têm melhor efeito se tomados individualmente. Mesmo assim, se combinados com outras essências referentes a um mesmo tema, você obterá um resultado melhor e mais duradouro. Elas agirão a partir de seus corpos sutis penetrando depois no físico. Quando usamos uma combinação de duas ou mais essências que dizem respeito a temas diferentes, poderemos ter um efeito mais lento. Todavia, numa situação de crise, é possível combinar até sete essências, embora o normalmente sugerido seja no máximo quatro e ocasionalmente cinco essências.

Extratos do livro “Essências Florais Australianas”, Ian White, 3ª edição, Ed. Triom, pags. 6 a 11.



quinta-feira, 20 de março de 2014

Hércules, o Herói Solar

Hoje começa o ano astrológico. Lembrei-me de Hércules e seus 12 Trabalhos, que têm relação com o Zodíaco e a jornada da alma.

Segundo Alice Bailey, a correspondência entre trabalhos e signos é a seguinte:

1)      A Captura das Éguas Antropófagas (Áries)
2)      A Captura do Touro de Creta (Touro)
3)      Os Pomos de Ouro do Jardim das Hespérides (Gêmeos)
4)      A Captura da Corça ou Cervo (Câncer)
5)      A Morte do Leão de Neméia (Leão)
6)      A Tomada do Cinturão de Hipólita (Virgem)
7)      A Captura do Javali de Erimanto (Libra)
8)      A Destruição da Hidra de Lerna (Escorpião)
9)      A Morte dos Pássaros de Estínfalo (Sagitário)
10)   A Morte de Cérbero (Capricórnio)
11)   A Limpeza dos Estábulos de Áugias (Aquário)
12)   A Captura do Gado Vermelho de Gerião (Peixes)

Vejamos o que A. Bailey diz, em linhas gerais, sobre esse processo:

A verdade está, como uma fênix, emergindo de novo no campo da experiência humana, mas ela será a verdade que é sentida e conhecida e não a verdade forçada através do autoritarismo e da tradição antiga; pois a verdade, como nos diz Bernard Saw, é “o que você conhece pela sua experiência como sendo real e você sente em sua alma como sendo verdadeiro”. Tais renovações na vida espiritual da humanidade são recorrentes e cíclicas; elas podem ser de uma natureza emocional ou intelectual, mas elas servem para levar a vida subjetiva da humanidade para uma nova fase mais rica de experiência, e compensar, e algumas vezes interpretar as tendências mais materiais e científicas paralelas que podem ser vistas.
O problema de todo escritor e instrutor hoje é descobrir novos caminhos pelos quais expressar as mesmas verdades fundamentais, e assim apresentar as antigas fórmulas e regras do caminho que levarão o homem ao estágio seguinte em seu desenvolvimento espiritual. As velhas verdades então adquirirão novos significados e vibrarão com vida fresca. (...) Um estudo dos Doze Trabalhos de Hércules, cobrindo como eles fazem, cada aspecto da vida do discípulo, pode nos capacitar a conquistar uma diferente atitude e nos dar alegria no Caminho e aquela liberdade no serviço que é mais do que uma adequada compensação para as perdas temporárias e dificuldades momentâneas que podem tentar a natureza inferior. (...)

Esta velha história não deixa sem tocar qualquer das fases na vida do aspirante e, contudo, o liga incessantemente à iniciativa cósmica. Ver-se-á que seu tema é tão inclusivo que todos nós, imersos nos problemas da vida, podemos aplicar a nós mesmos as provas e tentativas, os fracassos e conquistas dessa figura heróica que aspirou, séculos atrás, aos mesmos objetivos em que nos estamos empenhando. Pela leitura desta obra, um renovado interesse na vida espiritual pode ser evocado na mente do confundido aspirante, e ele prosseguirá com nova coragem à medida que ganha um quadro seqüencial do desenvolvimento e do destino universais.

Ao estudarmos este antigo mito, descobrimos que Hércules assumiu certas tarefas, simbólicas em sua natureza, mas universais em seu caráter, e que ele passou por certos episódios e acontecimentos que retratam, por todos os tempos, a natureza da preparação e as conquistas que deveriam caracterizar um filho de Deus, caminhando para a perfeição. Ele representa o filho de Deus encarnado, mas não ainda perfeito; o qual, num particular estágio no ciclo evolutivo, toma em suas mãos sua natureza inferior e voluntariamente se submete à disciplina que finalmente ensejará a emergência de sua divindade inata. A partir de um ser humano, errando mas sincero e sério, inteligentemente cônscio da obra a ser feita, um Servidor Mundial é criado, e nós vemos nos últimos dois trabalhos como foi aquele trabalho de salvação.

Três grandes e dramáticas histórias foram constantemente contadas à humanidade através dos tempos: as de Hércules, do Buda e do Cristo, cada um deles retratando um dos estágios no Caminho da Divindade. Na história de Hércules nos são descritas as experiências do Caminho do Discipulado, e as primeiras etapas do Caminho da Iniciação. No caso do Buda, a história começa mais tarde do que a de Hércules, e nós vemos o Buda alcançar a iniciação final, passando pelas iniciações a respeito das quais Hércules conhecia. Depois veio o Cristo histórico, encarnando em Si mesmo algo tão inefável que nós O consideramos de uma maneira especial, como o representante de Deus. Essas três histórias progressivamente revelam o plano de Deus para o desenvolvimento do homem, e nos chamam para prosseguir nos passos de Hércules, que trilhou o Caminho do Discipulado e alcançou sua meta.

O oráculo falou e a exclamação ecoou através dos séculos: “Conheça-te a ti mesmo”. Este conhecimento é a principal conquista no Caminho do Discipulado, e se vê como,  em sequência, e inteligentemente Hércules atingiu este conhecimento. Nós o vemos passando pelo grande caminho dos céus e em cada signo realizando um de seus doze trabalhos, a que todos os discípulos estão chamados a realizar também.
Nós o vemos de dois pontos de vista: o do discípulo individual e da humanidade como um todo, o Grande discípulo mundial do qual ele é o protótipo. É possível considerar a humanidade como tendo alcançado, em massa, o estágio do aspirante, e considerar a raça humana como estando no caminho probatório, o caminho da purificação. Se o sofrimento é o grande purificador, então a afirmação acima é inteiramente verdadeira.  (...)
Vemos Hércules partindo deste ponto e passando pelas sucessivas experiências, até chegar à porta aberta em Leão, através da qual ele pode passar para o Caminho do Discipulado. Nós o vemos aprendendo as lições do equilíbrio, do altruísmo e da vitória sobre a natureza do desejo, até tornar-se o discípulo unidirecionado em Sagitário, antes de passar pelo portão que conduz ao norte da iniciação. Lenta e dolorosamente, ele aprende a lição de que a competição e a posse egoísta devem desaparecer e que a conquista de qualquer coisa para o eu inferior separado não faz parte da missão de um filho de Deus. Ele se descobre como um indivíduo apenas por descobrir que o individualismo deve ser inteligentemente sacrificado pelo bem do grupo; ele aprende que a ambição pessoa não tem lugar na vida do aspirante que procura a libertação do ciclo sempre recorrente da existência e a constante crucificação na cruz da matéria e da forma. As características do homem imerso na vida da forma e sob a regra da matéria são o medo, a competição individual e a ambição. Esses devem ceder lugar à confiança espiritual, à cooperação, à consciência grupal e ao altruísmo. Essas são as lições que Hércules nos traz.

Essa é também a história do Cristo cósmico, crucificado desde o início da criação na cruz fixa nos céus. Essa é a história do Cristo histórico, dada a nós na história dos evangelhos, e representada para nós há dois mil anos na Palestina, quando nosso Sol entrou no signo do Salvador Mundial, o signo de Peixes. Essa é a história de cada homem individualmente, crucificado na cruz da matéria e da existência, e descobrindo que ele é na verdade um filho de Deus encarnado em cada ser humano. Deus, encarnado na matéria. Tal é a história do sistema solar, a história de nosso planeta, a história de cada homem. Ao olharmos para o céu estrelado acima de nós, temos esse grande drama eternamente representado para nós.


Bailey, Alice A. - Os Trabalhos de Hércules, Niteroi-RJ, Fundação Cultural Avatar, 1991, pags. 206-210.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Astrologia: Os Ciclos e sua Relação com as Crises

ASTROLOGIA HUMANÍSTICA
Os Ciclos e sua Relação com as Crises
A Astrologia Humanística constitui a primeira abordagem astrológica a usar o conceito de ciclos como base para a compreensão e interpretação dos seus símbolos fundamentais: casas, signos, plantas e aspectos. (...)
O que é um ciclo? Ciclo é uma estrutura-forma de tempo. É o contexto no qual ocorrem as mudanças. Toda a existência é estruturada pelo tempo e toda a atividade tem lugar no tempo. Ciclo é o tempo de duração da vida de qualquer entidade determinada. Embora um ciclo tenha um começo e um fim reconhecíveis, é errôneo interpretar isso como um eterno ponto de partida – começo, fim e novo começo. Uma tal visão dos ciclos, em astrologia, levará o indivíduo a considerá-los como sequências repetitivas de eventos. Este não é o verdadeiro retrato da realidade; pois, embora o padrão do seu desenvolvimento se repita, desde o início até o fim, o conteúdo de um ciclo – os estados de mudança, os eventos ou as experiências de seu período de duração – nunca se repete exatamente. (...)
Sendo um “todo e de atividade”, um ciclo contém um meio, assim como um começo e um fim, havendo fases de desenvolvimento identificáveis à medida que ele se desenrola. Tão logo um momento particular é identificado como parte de um ciclo, passa a estar inextricavelmente relacionado com o começo e também com o fim desse ciclo. Qualquer momento específico ocorrido dentro de um ciclo é considerado parte do “meio”, um desenvolvimento do impulso que iniciou o ciclo, e é dirigido no sentido da consumação ou propósito desse ciclo. Desse modo, todos os momentos dentro de um ciclo estendem-se para trás, para a raiz do ciclo e, ao mesmo tempo para frente, na direção da semente do ciclo. Este impulso simultâneo, para frente e para trás, envolve qualquer momento particular com todos os outros momentos do ciclo. Rudhyar denomina este fenômeno de INTERPRETAÇÃO-TEMPO. É a quarta dimensão do tempo. (...) Cada momento no tempo é uma parte, um aspecto ou uma fase de uma realidade oniabrangente – o Todo – e tem seu significado essencial somente com referência a esse Todo. Assim sendo, cada unidade aparentemente separada tem participação e está envolvida com cada uma das outras unidades existentes dentro do tempo de duração de um ciclo. Isto acontece porque, em qualquer ciclo, o efeito também age sobre a causa e cada momento presente é puxado pelo futuro, assim como é empurrado pelo passado. O ciclo inteiro está implícito em cada um de seus momentos.
Como um estudo dos ciclos, a astrologia torna-se, então, um estudo das correlações entre todos esses fatores – entre o futuro e o passado em cada momento presente; entre o macrocosmo universal e o microcosmo individual. O mapa natalício é o ponto de partida do ciclo de vida do indivíduo. Situa-se entre o passado ancestral – as raízes cármicas e o futuro potencialmente individualizado – o propósito-vida dármico. Trata-se do padrão ou plano que Jung chamou de processo de individuação, revelando, em linguagem simbólica, como cada pessoa pode atualizar plenamente aquilo que é potencialmente.
O QUE É UMA CRISE? Os ciclos são medidas de mudança. Para que qualquer propósito se realize, devem ocorrer mudanças e, necessariamente, mudanças envolvem crises.  (...) Ela deriva da palavra grega “krino”, “decidir”, e significa, simplesmente, um momento de tomar uma decisão. Uma crise é um momento decisivo – aquele que precede a MUDANÇA. Para evitar uma crise, teríamos que evitar a própria mudança, o que constitui uma impossibilidade óbvia.
Embora toda a matéria, tanto viva quanto inanimada, esteja mudando constantemente, somente o homem tem capacidade de tomar uma decisão consciente. Com o fito de evoluir, ele deve abandonar o comportamento instintivo, que serve apenas para a sobrevivência ou as compulsões sociais, em favor da escolha consciente. A barreira para a escolha consciente é o “ego”, aquilo que a sociedade disse ao indivíduo que ele deveria ser, em oposição à experiência do Eu, que lhe diz o que ele realmente é. É na adaptação ao papel social que o indivíduo assume padrões de comportamento habituais. Assim, quando chega o momento de tomar uma decisão (crise), permitimos que esses padrões determinem a nossa escolha, em vez de seguirmos as linhas de orientação emanadas da nossa própria verdade pessoal.
Infelizmente, está sempre presente a tentação de se evitar o ato de tomar uma decisão, na esperança de que a necessidade desapareça e as coisas permaneçam num confortável estado “normal”. Às vezes esta técnica dá a impressão de que funciona, e o fio do status quo parece não ter sido rompido; contudo, não importa quão pequenina a decisão ou quão insignificante a crise, este ato de evitar representa, de qualquer modo, uma derrota espiritual. O fato de recusar-se a decidir, ou o fato de esperar que as circunstâncias ou outras pessoas decidam, não exime o indivíduo da responsabilidade. Toda vez que uma decisão deixa de ser tomada, os padrões inconscientes e instintivos tornam-se mais profundos. O que na infância era uma ranhura transforma-se, mais tarde, num sulco e, finalmente, numa cova. Esta repetida ausência de decisão consciente pode, numa determinada circunstância, aumentar a tensão, fazendo-a finalmente explodir. O indivíduo será então obrigado a reagir a circunstâncias difíceis ou dolorosas, que poderiam ter sido evitadas, caso tivesse ele enfrentado as crises anteriormente e menores com objetividade e coragem. A catástrofe resultante não é uma conseqüência inevitável das crises, mas sim das decisões evitadas. Assim sendo, para os astrólogos humanisticamente orientados, as crises não são eventos externos, embora os eventos externos possam precipitá-los ou condicionar o seu desenvolvimento. As crises, tanto grandes como pequenas, representam, essencialmente, oportunidades para o desenvolvimento – as únicas oportunidades que realmente temos. O indivíduo deve fazer um esforço contínuo no intuito de se manter alerta e livre dos padrões de hábitos inconscientes, que obstaculizam o crescimento espiritual. Desse modo, será capaz de usar as crises em favor de seus objetivos particulares.
O desafio das confrontações é interminável. Alguns destes pontos críticos são biológicos (tais como a adolescência e a menopausa) e são enfrentados em idades específicas, ao passo que outros são individuais e podem ocorrer em qualquer época durante o período de vida. O potencial destes últimos é inerente ao mapa de nascimento, e a interpretação de seus efeitos e reações dependerá da idade da pessoa na ocasião da crise. Por meio de trânsitos e progressões, o astrólogo pode deduzir a época e a natureza das futuras crises em potencial. Caso se espere um tipo específico de período de transição, ou de crise de crescimento, o indivíduo pode preparar-se para enfrentá-lo conscientemente e com os olhos abertos e, através dele, poderá lucrar muito mais em termos de maturidade pessoal e de desenvolvimento espiritual. Tal conhecimento também poderá ajudar a pessoa a evitar decisões imprudentes ou precipitadas. O sentimento de desespero que frequentemente surge no meio de uma crise pode ser igualmente dispersado pela capacidade do astrólogo em predizer o fim do ciclo.
Todavia, o conhecimento antecipado pode, por outro lado, ter efeitos negativos. Com muita freqüência, a antecipação de uma crise iminente provoca medo e ansiedade – as causas primárias de todos os males. Idealmente, do ponto de vista humanístico esta abordagem negativa deverá ser menos provável, uma vez que o objetivo da abordagem humanística é antes o desenvolvimento espiritual, e não o conforto ou o enriquecimento material. Além do mais, o astrólogo humanístico deverá saber que as crises não são eventos isolados, mas fases de crescimento individual. Deverá interpretá-las tomando como referência os ciclos maiores ou menores dentro dos quais elas ocorrem – as fases desses ciclos. A fase correspondente à crise revelará seu significado e propósito em função da natureza, do alcance e do propósito do ciclo como um todo. A astrologia humanística, portanto, será capaz de trazer um sentido de direção, de orientação e de determinação a cada crise. A maioria dos manuais astrológicos não trata da capacidade para visualizar o que poderá e deverá ocorrer no futuro (isto é, a meta e o propósito do ciclo completo), mesmo quando a pessoa se acha no meio de uma caótica situação presente. Ela deve ser aprendida enfrentando-se experiências em função da quarta dimensão temporal – isto é, observando-se o ciclo todo em cada momento em que está sendo vivido e abordando-se esse momento presente de maneira lúcida e consciente.
Embora a astrologia humanística possa prestar um grande auxílio na compreensão das crises futuras, essa abordagem poderá ser ainda mais valiosa no que se refere a compreender as crises já ocorridas. Tal compreensão, embora tardia, é a melhor preparação para se enfrentar, construtiva e expressamente, as crises de desenvolvimento que ainda estão por vir. Contudo, como qualquer técnica, seu valor depende da pessoa que a está utilizando – de sua coragem, discernimento e visão espiritual. Ninguém pode ver, quer num mapa de nascimento, quer na própria pessoa, qualquer coisa que esteja além do alcance do seu próprio entendimento. O astrólogo pode extrair de um mapa de nascimento apenas aquilo que ele insere em sua própria vida.


Trecho extraído do livro “Ciclos de Evolução”, de Alexander Ruperti.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Psicanálise: terapia para o autoconhecimento

AUTOCONHECIMENTO ATRAVÉS DA PSICANÁLISE

Que ser complexo é o ser humano! Um misto de pensamentos, sentimentos, desejos, anseios... luz e sombra... um pacote completo. Percebemos toda essa variedade de ações e reações em nosso interior, em muitos casos, contraditórias.
Mas a questão é: o que fazer com tudo isso? Como encontrar o equilíbrio? Como ser feliz? Qual o meu lugar no mundo? Qual é o sentido da minha vida?
Na jornada de nossa existência nos deparamos com vários sistemas ou caminhos que intentam dar respostas a estas questões. Todos buscando o Centro, o Âmago, o Real.
Somos, cada um de nós, um Universo Completo, mas que precisa ser descoberto, explorado e, acima de tudo, INTEGRADO. Para isso, precisamos de uma estratégia.
Qual seria o primeiro passo para esse processo de integração interior? Pois, lidar com nossa HUMANIDADE. Sim, conhecermo-nos como humanos que somos. Reconhecer o que há por trás de cada pensamento, cada sentimento, cada desejo, cada angústia...
A Psicanálise nos coloca em contato com as questões humanas. Trás luz ao que foi recalcado desde os primeiros instantes da vida. Possibilita lidar com nossas neuroses, jogando luz sobre os medos, as depressões, as raivas, as negatividades, etc. Através da Psicanálise analisamos nossas carências, vazios, medos, problemas de autoestima, traumas, mágoas, toda sorte de limitações autoimpostas. Quando colocamos luz sobre estas sombras interiores, elas deixam de ser sombras. A luz da consciência, construída passo a passo, nos faz perceber também o que temos de bom que não usamos, valores que ficam sem uso devido a sentimentos de menos valia, complexos de inferioridade, de castração, etc.
As técnicas psicanalíticas, propiciadas por Freud e outros que lhe seguiram, propiciam esse AUTOCONHECIMENTO que possibilita integrar luz e sombra em nosso interior.
A Psicanálise prima pelo AMOR À VERDADE. É isso que a torna um excelente recurso para o autoconhecimento. Ela ajuda a conectar-nos conosco mesmos, libertando-nos das falsas verdades que construímos e transforma nossa percepção da vida.
Aceitar nossa própria humanidade nos traz qualidade de vida, amplia nossas perspectivas, melhora a relação que temos conosco mesmo e com o mundo.
Psicanálise é terapia para o autoconhecimento.


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Depressão: amiga ou inimiga?


As estatísticas mais recentes têm apontado a depressão como o mal do século. Os prognósticos para este distúrbio de humor o colocam como primeiro problema psicológico para os próximos 20 anos.
A AMA (Associação Médica Americana) explica objetivamente o que é a depressão e seus tipos. As empresas farmacêuticas têm se especializado cada vez mais, elaborando medicamentos eficientes, de acordo com as mais recentes descobertas da Neurociência.
No entanto, a depressão insiste e persiste. Por que?
Os medicamentos combatem os sintomas da depressão, mas não acabam com ela, pois este distúrbio, assim como qualquer outra psicopatologia, tem uma função específica na nossa mente.
As psicopatologias não são apenas efeitos de desordens psíquicas, mas têm um papel dinâmico, comportando-se como um fator de cura também. Qualquer doença, seja ela física ou psíquica, é um meio de autocura, de transformação. Assim, se queremos chegar à cura, precisamos entender a doença.
No caso específico da depressão, o que ela mostra? Podemos sintetizar a mensagem deste distúrbio da seguinte forma:  ela quer nos fazer ver que nossa vida está carecendo de um sentido. Ela se instala progressivamente, sendo o último estágio  de uma tentativa de integração proposta pelo nosso Ser Real.
Nossa psique (alma) nos convida, de tempos em tempos, a produzir mudanças internas, a EVOLUIR. Quando nos negamos a isso, produzimos algum nível de dissociação interna. Evolução significa reintegração com partes de nós até então inconscientes (as diferentes partes do Ser). Para isso, temos que mergulhar em regiões dentro de nós e isso causa medo. Assim, o medo é o principal obstáculo (e não é pequeno!) à metamorfose interior. O medo do desconhecido, por exemplo, é um grande óbice ao processo interno de mudança.
Quando evitamos, seguidamente, esses enfrentamentos que se manifestam, por vezes, só internamente, como um conflito com fantasmas, fantasias ou devaneios, eles acabam se externalizando e vemos esses elementos internos projetados em circunstâncias e pessoas.
A negação crônica do movimento da vida, das pulsões que nos impulsionam a fazer mudanças e tornar nossa vida criativa, é que geram a depressão.
A depressão é uma doença que nos diz: você não está fazendo da sua vida o que deve, não está cumprindo com a vontade do Ser Real para este ciclo de sua existência.   É qual é essa vontade? Cada um tem que descobrir através de um processo de AUTOCONHECIMENTO, exercitando a interiorização. O problema é que o processo depressivo drena a vida, o que faz por vezes necessária a ajuda externa, na forma de uma terapia bem conduzida.
Então, a questão central é: A VIDA ANDA POUCO CRIATIVA! Nós, seres humanos, estamos perdendo o propósito da nossa existência, escolhendo viver de forma mecânica, robótica, nos distanciando de nossa natureza interior, de nossa Verdade. Essa é a causa da crescente depressão que assola estes tempos. Estamos perdendo contato com a VIDA, vivendo por viver, sem o saber.
Assim, no final das contas, a depressão é uma amiga, que nos alerta pela dor, de que precisamos submeter nossa vida a um processo de reflexão.
E se precisamos ser tocados pela dor é sinal de que as tentativas anteriores, mais brandas, que nosso Ser Real tentou para nos levar a uma transformação, falharam. Portanto, a situação é grave. Em vez de rechaçar essa amiga tão sincera, vamos nos voltar para ela e ver e escutar o que ela tem a nos dizer.